Povo Indígena Paiter Suruí

HISTÓRIA

Os Paiter Suruí de Rondônia, reconhecidos na tradução livre como “Povo Verdadeiro”, são indígenas que falam uma língua do tronco Tupi e família Mondé, embora, na atualidade, dominem com perfeição a língua portuguesa, dada o intenso processo de aprendizado desenvolvido desde os primeiros contatos, a partir da expedição oficial da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), chefiada pelo sertanista Francisco Meirelles, em sete de setembro de 1969.

Três anos após o contato oficial realizado pela FUNAI, os Paiter Suruí se aproximaram definitivamente dos não índios, época em que viviam concentrados no local tradicionalmente denominado de “Nabekob Abadakiba” (o lugar onde foram pendurados os facões), onde a expedição da FUNAI havia se instalado para o contato.

Nesta ocasião se verificava o início da crescente migração oriunda do sul do país para Rondônia, em busca de terras e melhores condições de sobrevivência e vida, com estímulo do Governo Federal, precisamente por intermédio da atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrágria (INCRA).

Fruto desse ciclo, os Paiter Suruí tiveram grande parte do território originalmente ocupado, invadido por colonos, razão de grandes conflitos, potencializados por intenso processo de degradação física e cultural, em função da grande proximidade com a população sulista migrante e com os núcleos populacionais que cresciam rapidamente em Rondônia, a exemplo de Cacoal e Espigão D’Oeste.

Até a completa retomada da área hoje definitivamente reconhecida como de usufruto permanente, os Paiter Suruí tiveram perda significativa de sua população, especialmente em virtude de surtos de doenças contra as quais não possuíam qualquer proteção ou tratamento.

Dados históricos revelam que, contaminados por surto de Sarampo ocorrido entre as décadas de 70 e princípio da década de 80, os Paiter Suruí tiveram sua população diminuída a números alarmantes. Apoiados, entretanto, pela FUNAI, conseguiram não apenas conter a mortandade, mas retomar todas as áreas invadidas.

Visite o acervo de fotos históricas registradas pela Pontificia Universidade Católica de Goaiás, acerca do período em que foi estabelecido o primeiro contato entre os Paiter Suruí e a missão realizada pela Fundação Nacional do Indío, no ano de 1969: Ver Galeria (PUC Goiás)

POPULAÇÃO

O Povo Paiter Suruí é atualmente integrado por cerca de 1800 pessoas, cuja origem provém de 4 linhagens clânicas patrilineares, dentre as quais: Gabgir (o povo do marimbondo amarelo); Gamep (o povo do marimbondo preto); Makór (o povo da taquara) e Kaban (o povo da frutinha Kaban).

Esta população compõe 28 aldeias, estrategicamente alocadas ao longo e nas proximidades de todas as fronteiras da Terra Indígena Sete de Setembro.

Trata-se de população majoritariamente composta por jovens e adultos, esses últimos assim considerados a partir dos 15 anos. A proporção de jovens comparada aos adultos ativos é também muito alta e reflete o histórico de mortalidade extremamente elevada, entre os anos de 1971 e 1980, dada a contração de doenças, a partir do contato estabelecido com “não indígenas” (ex.: Sarampo), em face das quais os indígenas não tinham qualquer resistência natural.

Somente a partir do ano de 1985, a natalidade começou a superar significativamente a taxa de mortalidade, com taxas de crescimento de 11% ao ano. Essa recuperação do número populacional ocorreu devido a forte determinação dos que sobreviveram a tais epidemias, assim também pela adoção de determinadas políticas públicas de saúde, associadas à proativa ação de determinados entes do terceiro setor, entre os anos de 1988 a 2003.

Estudos indicam a possibilidade de a população alcançar números acima de 12.000 pessoas, nos próximos 40 anos.

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS MERCANTIS

Antes convivendo em grandes malocas instaladas num mesmo local, a ocupação do território ganhou nova estrutura e dimensão, após o reconhecimento governamental e fim dos conflitos fundiários.

Estimulados pela FUNAI, os Paiter Suruí passaram a constituir aldeias e ocupar estrategicamente regiões próximas as fronteiras da Terra Indígena Sete de Setembro, ao final das diversas estradas coletoras (linhas), abertas pelos colonos (cafeicultores), em virtude do extinto projeto de colonização.

Em 1990 já se contavam 10 diferentes aldeias, todas bem próximas aos limites da Terra Indígena com os lotes do PIC Ji-Paraná.

Estrategicamente alocados, os Paiter Suruí passaram a utilizar como fonte de subsistência e renda as diversas culturas agrícolas que ficaram no interior da reserva demarcada, dentre as quais os cafezais plantados pelos invasores, que acabaram por constituír suas primeiras experiências mercantis.