Educação e Qualificação Profissional

Promover o incremento da educação, da qualificação técnico-profissional e do voluntariado, dentre outros valores universais, associados ao desempenho de atividades empreendidas por seus associados, no Brasil e no exterior, constitui um dos mais significativos objetivos da COOPAITER, previsto no Art. 4°, inciso X do seu Estatuto Social.

MÉTODO DE ALFABETIZAÇÃO

Ao longo dos últimos 20 anos, os Paiter Suruí têm se dedicado intensamente à criação de metodología de alfabetização, ensino e aprendizado, capazes de promover a correlação necessária entre a língua Portuguesa e o Tupi-Mondé, tronco lingúistico do qual descende a sua língua falada. Somente assim, propiciar-se-ia às crianças e aos jovens, a estruturada manutenção da língua materna, sem perder de vista o necessário domínio da língua Portuguesa e de outros idiomas.

Imbuída por esse propósito, no ano de 2017, finalmente, a Professora Elisângela Dell-Armelina Suruí conseguiu criar um método de alfabetização indígena, que originou o livro “Mamug koe ixo tig” (A palavra e a escrita da criança), direcionado ao ensino escolar da língua Tupi-Mondé.

A iniciativa, sem parâmetros, representa para os Paiter Suruí o indicativo de novos parâmetros educacionais para o presente e para o futuro, a propiciar definitiva preservação de suas raízes étnico-culturais, em meio aos desafios impostos pelas sociedades contemporâneas, nas mais variadas vertentes de relacionamento e atuação.

Trata-se do primeiro material didático especialmente destinado ao aprendizado de criança, tal como o embrião da primeira Escola Indígena multilingue, com potencial replicação para outros povos indígenas do Brasil e para os situados em outros continentes.

O “Mamug koe ixo tig” foi aceito pela comunidade acadêmica nacional, com forte repercussão internacional, razão pela qual a Professora Elisângela foi agraciada com título de Educadora do Ano de 2017, tendo sido eleita uma das dez personalidades do ano de 2017, por ações e conquistas relacionadas à promoção dos direitos humanos.
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PESQUISA E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

O “Mamug koe ixo tig” inspirou jovens e professores a investir no desenvolvimento de iniciativas ancoradas em suas diversas potencialidade culturais, tendo se transformado em estratégica ferramenta de pesquisa e estudo, com significativa repercussão prática.

Exemplo disto foi o prêmio concedido pelo Governo do Estado de Rondônia aos alunos do ensino médio, Sulivan Surui (16 anos) e Charles Surui (17 anos), destaques em 2017, no âmbito da Feira de Ciências e Tecnologia – Ferocit, em virtude do projeto intitulado “Alisante natural”. Esta pesquisa teve como principal objetivo a identificação do uso de plantas da Floresta Amazônica para o tratamento e alisamento natural dos cabelos, trabalho que chamou a atenção da indústria de cosméticos.

Ainda em 2017, a Comunidade Indígena Paiter Suruí foi agraciada com outro importante destaque nacional inspirado pela sistemática de aprendizagem inaugurada pelo “Mamug koe ixo tig”. Trata-se do prêmio “Respostas para o Amanhã” - Ver Video, concedido pela Samsung ao professor Alexandre Surui e aos alunos do ensino médio da Escola Sertanista José do Carmo Santana, também localizada na Terra Indígena Sete de Setembro, em virtude do projeto “Plantas Medicinais do Povo Paiter: Resgatando os Conhecimentos Tradicionais”, baseado no uso dos remédios utilizados antes do contato com não indígenas.

No contexto de aperfeiçoamento da capacitação técnica dos seus associados/cooperados a COOPAITER tem em mente a necessária interlocução com entes públicos ou privados, nacionais ou estrangeiros, com vista à celebração de Acordos de Cooperação Técnica e/ou captação de doações ou investimentos essenciais à aquisição/transferência de conhecimento e à assistência técnico-científica.

INCLUSÃO DIGITAL

O acesso à internet foi recentemente implantado na Terra Indígena Sete de Setembro. Embora a precariedade dos serviços, ofertados via rádio, os professores têm se dedicado a estimular - de forma sistemática - a adoção de pesquisas digitais, destinadas à compreensão do próprio espaço e das atividades desempenhadas no interior da aldeia, mas a interrelação com outras aldeias e povos, indígenas e não indígenas.

Na ausência de recursos financeiros destinados ao intercâmbio estudantil, e – portanto – de viagens escolares para localidades situadas fora da reserva, a sistemática de ensino atualmente implantada tem privilegiado a inclusão digital como essencial ferramenta de interculturalidade.

FONTES DE RECURSOS

A COOPAITER, não apenas apoia institucionalmentge a adoção de iniciativas relacionadas ao aperfeiçoamento dos trabalhos acima relacionados, mas a adoção de outras iniciativas que possam colaborar com a formação educacional e profissional do Povo Paiter Suruí, o que poderá ser realizado, inclusive, por intermédio do seu Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES) – destinado à prestação de assistência aos associados e demais beneficiários, assim também aos empregados da Coopaiter, na forma do Regimento Interno, constituído por 5% (cinco por cento) das sobras líquidas apuradas no exercício, assim também pelas correspondentes receitas especificamente designadas.